FANTÁSTICAS FÁBRICAS DE VENENO
Jornal Sem Terra – Especial Agrotóxicos
O Brasil é o segundo pais em que há a maior concentração de terras do planeta: 1 % da população controla 46% das terras agricultáveis do país.
Um elemento central no desenvolvimento do agronegócio no Brasil é o papel do Estado brasileiro. Esse instrumento que serve ao Capital é o principal financiador do agronegócio no pais. No ano de 2010, o Governo Federal financiou 90 bilhões de reais para o Agronegócio, o qual gera apenas 1,6 milhões de emprego no campo. Ao compararmos com a Agricultura Familiar, que gera 16 milhões de empregos e produzem alimentos para a população, esta recebeu apenas 60 bilhões de reais.
A estratégia do Estado e do Governo atual é continuar o desenvolvimento do Agronegócio para a expansão comercial do Brasil, fortalecendo a economia diante dos demais países capitalistas. Nos últimos dois anos, as empresas estrangeiras do agronegócio se apropriaram de 515 mil hectares de terras no Brasil, (equivalente a 22 campos de futebol por hora). Até 2017 a perspectiva é que o nosso país seja o terceiro maior produtor agrícola do mundo, sendo: 30% da produção de carnes do planeta; 40% da produção de soja; e se manter como o maior produtor de açúcar e álcool.
Quando pensamos em agrotóxicos, é importante compreender que esses venenos são fabricados por grandes empresas multinacionais. E essas empresas não se importam com a saúde do povo, nem mesmo com a contaminação do meio ambiente. Para elas, só interessa uma coisa: o lucro.
O mercado de agrotóxicos movimentou, somente em 2009, 48 bilhões de reais. E de todo esse dinheiro, 68% fica nas mãos de seis grandes multinacionais: a Monsanto, a Syngenta, a Bayer, a Basf, a DuPont e a Down Chemical.
Há algumas décadas atrás, essas empresas testavam cerca de 1200 agrotóxicos por ano. Hoje, são mais de 200 mil.
Estas empresas estão no ramo dos agrotóxicos e venenos não é de agora. A Monsanto, por exemplo, foi a fabricante de Napalm e Agente Laranja, armas químicas utilizadas pelo exército dos Estados Unidos para atacar o povo do Vietnã durante sua luta pela libertação. Hoje, ela é a fabricante do Roundup, cujo agente principal é o glifosato, composto químico que causa malformações nos fetos das mulheres grávidas, conforme comprovado por estudos recentes.
Antes, os produtos da Monsanto eram usados para acabar com plantações dos camponeses do Vietnã. Hoje, o glifosato contamina os alimentos consumidos pelos brasileiros e brasileiras.
E não é que essas multinacionais não sabem dos problemas causados pelos agrotóxicos que elas produzem. Pelo contrário! Mesmo sabendo de tudo, elas continuam vendendo seus produtos para obterem mais lucros. A Down Chemical, produtora do Nemagon, continuou vendendo esse agrotóxico na América Central mesmo sendo proibido nos Estados Unidos, depois que pesquisas constataram que ele trazia sérios problemas para a saúde. Somente na Nicarágua, mais de 1400 trabalhadores morreram contaminados por esse produto.
Muitos dos venenos que usamos no Brasil são proibidos em outros países. Porém, o que mais impressiona é que essas multinacionais continuam atuando com a conivência do governo, e o poder econômico destas empresas se transforma em poder político. Elas atuam dentro da CTNBio, forçando a legalização de diversos tipos de venenos, assim como de diversos tipos de sementes transgênicas.
Em outros países, os interesses de empresas como a Monsanto, a Syngenta e a Cargil são barrados em nome dos interesses da população, mas no Brasil elas atuam quase que livremente.
Além disso, essas empresas produtoras de veneno continuam financiando pesquisas para elaboração de novos agrotóxicos. Um acordo entre a Monsanto e a Embrapa definiu que as pesquisas prioritárias serão para o desenvolvimento de novos agrotóxicos e de novas variedades transgênicas de feijão, arroz, algodão e milho. A Monsanto contribuirá com quase 6 milhões de reais. Todo o resto será pago pela Embrapa, com o dinheiro dos impostos pagos pelos trabalhadores.
Nossa luta contra o uso de agrotóxicos não pode parar.
Somente a mobilização pode frear o avanço dos agrotóxicos. Depois de muita pressão popular, um tipo de arroz transgênico produzido pela Bayer (que já era proibido na Alemanha) teve sua legalização suspensa. Em Paulinia (SP), a justiça do trabalho condenou a Shell e a Basf a pagarem o tratamento médico de todos os ex-trabalhadores de uma fábrica de agrotóxicos instalada no bairro Recanto dos Pássaros.
As multinacionais dos agrotóxicos são um dos principais braços do Agronegócio no Brasil e no mundo. Não se importam com os trabalhadores do campo e da cidade, pois seus venenos e seus produtos contaminados estão na mesa do povo os dias.
Cabe a todos os brasileiros e brasileiras, do campo e da cidade, pressionarem o governo para acabar com o poder dessas empresas sobre nossa saúde e nossas vidas, além de continuar lutando para que todos possamos ter acesso a alimentos saudáveis e garantir a preservação do meio ambiente. E a Reforma Agrária é parte fundamental dessa luta.