Este é o blog do “PROJETO: PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA”. Este projeto de extensão está sendo desenvolvido pelo CEGeT (Centro de Estudos de Geografia do Trabalho), coordenado pelo Prof. Dr. Antonio Thomaz Júnior, da FCT/Unesp Pres. Prudente através do Edital 58/2010 MDA/CNPq.


CEGeT – Centro de Estudos de Geografia do Trabalho
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP
Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente
Departamento de Geografia Humana e Regional
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PROJETO PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA

Com o intuito de estabelecer novas ações a serem desenvolvidas pelo Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT) através de sua linha de pesquisa“Estrutura Societal e Formas de Uso e Exploração da Terra no Brasil: As Conseqüências para o Trabalho e para os Movimentos Sociais” e norteados pelas pesquisas que temos desenvolvido nos últimos anos, propomo-nos a realizar o Projeto de Pesquisa PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA/SP. Nossa intenção é mapear e identificar as atividades agroecológicas havidas no Pontal do Paranapanema/SP, em contraposição à alternativa do agrohidronegócio, em especial, à expansão do cultivo da cana-de-açúcar, visando compreender as tramas e conseqüências advindas de cada uma dessas possibilidades/realidades, a do agrohidronegócio e a da agroecologia em potencial. Assim, propõe-se acompanhar e registrar as atividades agroecológicas no Pontal do Paranapanema, sendo que, por meio desse Projeto pretendemos investigar como os agricultores/camponeses mantêm-se na luta pela terra de trabalho a partir do conhecimento e manejo de práticas agroecológicas.

PRIMAVERA SILENCIOSA



“Quarenta anos atrás, esta obra aplicou um choque galvânico na consciência pública e, como resultado, infundiu ao movimento ambientalista uma nova substância e significado”, segundo Edward O. Wilson.
Para quem não sabe ou nunca ouviu falar, o planeta Terra deve muito a Rachel Carson, uma cientista norte-americana que, no início da década de 1960, publicou Primavera silenciosa, obra que, mesmo tendo no título uma expressão poética, foi o estopim que deu forma a um novo e poderoso movimento social que alterou o curso da História. 
Carson, pesquisadora rigorosa com talento de romancista, causou uma verdadeira revolução em defesa do meio ambiente a partir do lançamento de seu livro, em 1962. A obra, escrita em pouco mais de quatro anos, apresenta inúmeros documentos científicos de diferentes fontes, comprovando as afirmações da autora que desencadearam uma investigação no governo Kennedy. 
De imediato, inspirou a rede de tevê CBS a produzir um documentário, assistido por 15 milhões de telespectadores, que mostrava os efeitos nocivos do DDT à saúde, fato que poderia, inclusive, alcançar mais de uma geração, uma vez que resíduos dessa substância tóxica podem ser encontrados no leite humano. 

Revolução 

O clamor que se seguiu à publicação de Primavera silenciosa forçou o governo a proibir o uso de DDT e instigou mudanças revolucionárias nas leis que preservam o ar, a terra e a água, com a criação, em 1970, da Agência de Proteção Ambiental Norte-Americana. A paixão de Rachel Carson pela questão do futuro do planeta refletiu poderosamente por todo mundo e seu livro foi  determinante para o lançamento do movimento ambientalista. 
Em 2000, a Escola de Jornalismo de Nova York consagrou Primavera silenciosa como uma das maiores reportagens investigativas do século XX. Em dezembro de 2006, premiando a memória e o legado de Rachel Carson, o jornal britânico The Guardian conferiu a ela o primeiro lugar na lista das cem pessoas que mais contribuíram para a defesa do meio ambiente de todos os tempos. 

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FANTÁSTICAS FÁBRICAS DE VENENO

FANTÁSTICAS FÁBRICAS DE VENENO
Jornal Sem Terra – Especial Agrotóxicos

O Brasil é o segundo pais em que há a maior concentração de terras do planeta: 1 % da população controla 46% das terras agricultáveis do país.
Um elemento central no desenvolvimento do agronegócio no Brasil é o papel do Estado brasileiro. Esse instrumento que serve ao Capital é o principal financiador do agronegócio no pais. No ano de 2010, o Governo Federal financiou 90 bilhões de reais para o Agronegócio, o qual gera apenas 1,6 milhões de emprego no campo. Ao compararmos com a Agricultura Familiar, que gera 16 milhões de empregos e produzem alimentos para a população, esta recebeu apenas 60 bilhões de reais.
A estratégia do Estado e do Governo atual é continuar o desenvolvimento do Agronegócio para a expansão comercial do Brasil, fortalecendo a economia diante dos demais países capitalistas. Nos últimos dois anos, as empresas estrangeiras do agronegócio se apropriaram de 515 mil hectares de terras no Brasil, (equivalente a 22 campos de futebol por hora). Até 2017 a perspectiva é que o nosso país seja o terceiro maior produtor agrícola do mundo, sendo: 30% da produção de carnes do planeta; 40% da produção de soja; e se manter como o maior produtor de açúcar e álcool.
Quando pensamos em agrotóxicos, é importante compreender que esses venenos são fabricados por grandes empresas multinacionais. E essas empresas não se importam com a saúde do povo, nem mesmo com a contaminação do meio ambiente. Para elas, só interessa uma coisa: o lucro.
O mercado de agrotóxicos movimentou, somente em 2009, 48 bilhões de reais. E de todo esse dinheiro, 68% fica nas mãos de seis grandes multinacionais: a Monsanto, a Syngenta, a Bayer, a Basf, a DuPont e a Down Chemical.
Há algumas décadas atrás, essas empresas testavam cerca de 1200 agrotóxicos por ano. Hoje, são mais de 200 mil.
Estas empresas estão no ramo dos agrotóxicos e venenos não é de agora. A Monsanto, por exemplo, foi a fabricante de Napalm e Agente Laranja, armas químicas utilizadas pelo exército dos Estados Unidos para atacar o povo do Vietnã durante sua luta pela libertação. Hoje, ela é a fabricante do Roundup, cujo agente principal é o glifosato, composto químico que causa malformações nos fetos das mulheres grávidas, conforme comprovado por estudos recentes.
Antes, os produtos da Monsanto eram usados para acabar com plantações dos camponeses do Vietnã. Hoje, o glifosato contamina os alimentos consumidos pelos brasileiros e brasileiras.
E não é que essas multinacionais não sabem dos problemas causados pelos agrotóxicos que elas produzem. Pelo contrário! Mesmo sabendo de tudo, elas continuam vendendo seus produtos para obterem mais lucros. A Down Chemical, produtora do Nemagon, continuou vendendo esse agrotóxico na América Central mesmo sendo proibido nos Estados Unidos, depois que pesquisas constataram que ele trazia sérios problemas para a saúde. Somente na Nicarágua, mais de 1400 trabalhadores morreram contaminados por esse produto.
Muitos dos venenos que usamos no Brasil são proibidos em outros países. Porém, o que mais impressiona é que essas multinacionais continuam atuando com a conivência do governo, e o poder econômico destas empresas se transforma em poder político. Elas atuam dentro da CTNBio, forçando a legalização de diversos tipos de venenos, assim como de diversos tipos de sementes transgênicas.

Em outros países, os interesses de empresas como a Monsanto, a Syngenta e a Cargil são barrados em nome dos interesses da população, mas no Brasil elas atuam quase que livremente.
Além disso, essas empresas produtoras de veneno continuam financiando pesquisas para elaboração de novos agrotóxicos. Um acordo entre a Monsanto e a Embrapa definiu que as pesquisas prioritárias serão para o desenvolvimento de novos agrotóxicos e de novas variedades transgênicas de feijão, arroz, algodão e milho. A Monsanto contribuirá com quase 6 milhões de reais. Todo o resto será pago pela Embrapa, com o dinheiro dos impostos pagos pelos trabalhadores.
Nossa luta contra o uso de agrotóxicos não pode parar.
Somente a mobilização pode frear o avanço dos agrotóxicos. Depois de muita pressão popular, um tipo de arroz transgênico produzido pela Bayer (que já era proibido na Alemanha) teve sua legalização suspensa. Em Paulinia (SP), a justiça do trabalho condenou a Shell e a Basf a pagarem o tratamento médico de todos os ex-trabalhadores de uma fábrica de agrotóxicos instalada no bairro Recanto dos Pássaros.
As multinacionais dos agrotóxicos são um dos principais braços do Agronegócio no Brasil e no mundo. Não se importam com os trabalhadores do campo e da cidade, pois seus venenos e seus produtos contaminados estão na mesa do povo os dias.
Cabe a todos os brasileiros e brasileiras, do campo e da cidade, pressionarem o governo para acabar com o poder dessas empresas sobre nossa saúde e nossas vidas, além de continuar lutando para que todos possamos ter acesso a alimentos saudáveis e garantir a preservação do meio ambiente. E a Reforma Agrária é parte fundamental dessa luta.

A NATUREZA PEDE SOCORRO

Jornal Sem Terra – Especial Agrotóxicos



A utilização maciça dos agrotóxicos trouxe graves problemas ambientais pela degradação dos recursos naturais não renováveis, desequilíbrio ambiental, degradação e poluição da água, dos solos e do ar e também a contaminação dos alimentos. Os resíduos químicos presentes no solo deslocam-se contaminando rios, lagos, lençóis freáticos e oceanos. O agrotóxico elimina, juntamente com as pragas, organismos animais e vegetais, reduzindo a biodiversidade e implicando em instabilidade dos ecossistemas. As alterações nos ecossistemas fazem com que o agricultor necessite utilizar quantidades cada vez maiores de agrotóxicos, o que resulta em resistência das pragas a estes insumos.

O Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Em 2007 e 2008, consumiu cerca de 16% de todo agrotóxico produzido no mundo: tendo como base o ano de 2000, representou um crescimento de 176% (enquanto no mundo todo houve um crescimento de somente 45,44 %). É uma vergonha. O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Nossa preocupação com os riscos e impactos do uso dos agrotóxicos ao meio ambiente e ao ser humano não é recente: já em 1962 um livro muito importante que se chamava Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, mostrava como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos animais, podendo causar câncer e danos genéticos. A autora advertia para o fato de que a utilização de produtos químicos para controlar pragas e doenças estava interferindo nas defesas naturais do próprio ambiente natural, e acrescentava: "nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem".
Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que têm de manter sua matriz na base do monocultivo quase sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim poder colher com as máquinas num mesmo período. Esse veneno secante vai para a atmosfera e depois retorna com a chuva, atingindo toda a população.
A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todo esse tempo sem os agrotóxicos e transgênicos. Desde os povos mais antigos havia uso de algumas substâncias para controle de pragas e de processos de cultivo, há um acúmulo nesse sentido.
A primeira coisa importante de tomarmos consciência é que depois do uso de venenos a produtividade da agricultura certamente aumentou, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade não. Além disso, os agrotóxicos têm grande impacto comprovado sobre o meio ambiente, devido principalmente ao seu tempo de persistência. É comum em estudos de bacias hidrográficas a contaminação de resíduos de agrotóxicos nos rios, nascentes, poços de água, animais silvestres e plantas.
O maior risco de efeitos indesejados dos agrotóxicos ocorre por meio da contaminação do sistema hidrológico, que mantém a vida aquática e as cadeias alimentares a ele relacionadas. Principalmente tendo-se em vista que a água é indispensável para praticamente todas as atividades humanas, das quais se destacam o abastecimento doméstico e industrial, a irrigação agrícola, a geração de energia elétrica e as atividades de lazer, além da preservação da flora e fauna.
O conhecimento das propriedades químicas e físicas dos contaminantes orgânicos é necessário para prever onde encontraremos maiores concentrações dos agrotóxicos nos diferentes compartimentos do ecossistema. Mas também é importante para entender o significado dessas concentrações, e a razão de somente algum deles concentrarem toda atenção de risco ambiental.
Temos documentos dos produtores de agrotóxicos em que afirmam a sua estratégia de interferir no processo regulatório, fazer lobby, interferir na capacitação dos servidores públicos e dos operadores de direito que lidam com essa área.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia, com a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos OGMs organismos geneticamente modificados, bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos conclusivos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente. No entanto, vem sendo constantemente influenciada por empresas que visam a destruição do meio ambiente por meio da expansão do agronegócio!