Este é o blog do “PROJETO: PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA”. Este projeto de extensão está sendo desenvolvido pelo CEGeT (Centro de Estudos de Geografia do Trabalho), coordenado pelo Prof. Dr. Antonio Thomaz Júnior, da FCT/Unesp Pres. Prudente através do Edital 58/2010 MDA/CNPq.


CEGeT – Centro de Estudos de Geografia do Trabalho
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP
Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente
Departamento de Geografia Humana e Regional
Rua Roberto Simonsen, 305 - Jardim Educacional
19060900 - Pres. Prudente/SP – Fone: 32295375 Fax: 32218
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PROJETO PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA

Com o intuito de estabelecer novas ações a serem desenvolvidas pelo Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT) através de sua linha de pesquisa“Estrutura Societal e Formas de Uso e Exploração da Terra no Brasil: As Conseqüências para o Trabalho e para os Movimentos Sociais” e norteados pelas pesquisas que temos desenvolvido nos últimos anos, propomo-nos a realizar o Projeto de Pesquisa PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA/SP. Nossa intenção é mapear e identificar as atividades agroecológicas havidas no Pontal do Paranapanema/SP, em contraposição à alternativa do agrohidronegócio, em especial, à expansão do cultivo da cana-de-açúcar, visando compreender as tramas e conseqüências advindas de cada uma dessas possibilidades/realidades, a do agrohidronegócio e a da agroecologia em potencial. Assim, propõe-se acompanhar e registrar as atividades agroecológicas no Pontal do Paranapanema, sendo que, por meio desse Projeto pretendemos investigar como os agricultores/camponeses mantêm-se na luta pela terra de trabalho a partir do conhecimento e manejo de práticas agroecológicas.

CHAPADA DO APODI, MORTE E VIDA (27min 40 seg / 2013)



A Chapada do Apodi fica na divisa entre Ceará e Rio Grande do Norte. Em 1989, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) implementou um projeto de irrigação no lado cearense. A área foi ocupada por grandes empresas de fruticultura, desarticulando a produção de milhares de pequenos agricultores. Em 2013, um projeto semelhante está prestes a chegar ao lado potiguar da chapada, ameaçando 6 mil agricultores familiares. 

DIREÇÃO: TIAGO CARVALHO 
FOTOGRAFIA: PAULO CASTIGLIONI 
SOM DIRETO: ARTHUR FRAZÃO 
PESQUISA: TIAGO CARVALHO 
ROTEIRO: ARTHUR FRAZÃO / TIAGO CARVALHO 
EDIÇÃO: ARTHUR FRAZÃO, edt. 
TRILHA SONORA: PEDRO LEAL DAVID

PONTAL DO BURITI: BRINCANDO NA CHUVA DE VENENO


Filme/Documentário: PONTAL DO BURITI - brincando na chuva de veneno

Em 3 de maio de 2013, a partir das 9 horas da manhã, uma aeronave da empresa Aerotex Aviação Agrícola Ltda., sobrevoou a Escola Municipal Rural São José do Pontal, localizada na área rural do município de Rio Verde/GO, "pulverizando", com o veneno Engeo Pleno da Syngenta, aproximadamente 100 pessoas, entre elas crianças, adolescentes e adultos, que estava na área externa do prédio em horário de recreio. Algumas crianças e adolescentes, "encantados" com a proximidade que passava o avião, receberam elevadas "doses" de agrotóxico.
Este não é um caso isolado. Esta é a realidade do agronegócio no Brasil.

Direção e Roteiro: Dagmar Talga
Produção executiva: Murilo Mendonça Oliveira de Souza
Imagens e Produção: Murilo Mendonça Oliveira de Souza e Dagmar Talga
Trilha Sonora: Tobias Bueno
Montagem: João Paulo Oliveira
Assistente de Montagem: Girilane Matos
Design de Capa: Janiel Divino de Souza

Entrevistas: 
Ana Paula Assis dos Santos; 
Annotília Paiva Ferreira; 
Cássia Maria Pereira Arantes; 
Cláudio Costa Barbosa; 
Daniel Rech; 
Danilo Fabiano Carvalho e Oliveira; 
Flávia Carvalho; 
Gessi Cabral Guimarães; 
Giovane Bastos de Miranda; 
Hugo Alves dos Santos; 
Jenyfer Joice Honorato de Almeida; 
Joana D'Arc Honorato de Almeira;
Juarez Martins Rodrigues; 
Karen Friedrich; 
Leandro Elias dos Santos; 
Leila Pereira de Assis; 
Lia Giraldo; 
Luana Vieira Leal; 
Lucimar Arruda Vieira; 
Maria de Fátima Rocha; 
Maria Divina Faria Alves; 
Regina Celi Moreira Vilarinho Barbosa; 
Reni Gonçalves de Lima; 
Ricardo Arantes Ferreira; 
Rita de Cassia Carvalho Oliveira; 
Sebastião Carvalho Vasconcelos; 
Talya Luíza Faria Alves; 
Vanessa Gonçalves Silva; 
Wanderlei Pignati; 
Wendy Wyne Isabel de Lima; 
Wilson Rocha de Assis.

Vídeos: 
Jornal Nacional - TV Globo; 
Jornal da Globo - TV Globo; 
Programa Radar - TV Anhanguera; 
Agrolink.

Trilha Sonora: 
Brian Crain - Water; 
Brian Crain – Rain
Yann Tiersen - La Vie Quotidienne
Brian Crain - Dream Of Flying
Vitor Jara - La Partida

Agradecimentos:
Flávio Antônio dos Santos
Naldia Faedo
Lázaro Ribeiro
Comissão Pastoral da Terra - Regional Goiás
Universidade Estadual de Goiás – UEG
Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida - Comitê Goiano

Contato:
Gwatá - Núcleo de Agroecologia e Educação do Campo
Universidade Estadual de Goiás – UEG
UnU - Cidade de Goiás (62) 3371-4971

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida contraosagrotóxicos@gmail.com - (11) 3392-2260

Insustentabilidade dos agrotóxicos

12 de abril de 2012

Frei Betto*

O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos no cultivo de alimentos. Cerca de 20% dos pesticidas fabricados no mundo são despejados em nosso país. Um bilhão de litros ao ano: 5,2 litros por brasileiro! Ao recorde quantitativo soma-se o drama de autorizarmos o uso das substâncias mais perigosas, já proibidas na maior parte do mundo por causarem danos sociais, econômicos e ambientais. Pesquisas científicas comprovam os impactos dessas substâncias na vida de trabalhadores rurais, consumidores e demais seres vivos, revelando como desencadeiam doenças como câncer, disfunções neurológicas e má formação fetal, entre outras. Aumenta a incidência de câncer em crianças. Segundo a oncologista Silvia Brandalise, diretora do Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), os pesticidas alteram o DNA e levam à carcinogênese. O poder das transnacionais que produzem agrotóxicos (uma dúzia delas controla 90% do que é ofertado no mundo) permite que o setor garanta a autorização desses produtos danosos nos países menos desenvolvidos, mesmo já tendo sido proibidos em seus países de origem. As pesquisas para a emissão de autorizações analisam somente os efeitos de cada pesticida isoladamente. Não há estudos que verifiquem a combinação desses venenos que se misturam no ambiente e em nossos organismos ao longo dos anos. É insustentável a afirmação de que a produção de alimentos, baseada no uso de agrotóxicos, é mais barata. Ao contrário, os custos sociais e ambientais são incalculáveis. Somente em tratamentos de saúde há estimativas de que, para cada real gasto com a aquisição de pesticidas, o poder público desembolsa R$ 1,28 para os cuidados médicos necessários. Essa conta todos nós pagamos sem perceber. O modelo monocultor, baseado em grandes propriedades e na utilização de agroquímicos, não resolveu nem irá resolver a questão da fome mundial (872 milhões de desnutridos, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura %u2014 FAO). Esse sistema se perpetua com a expansão das fronteiras de cultivo, já que ignora a importância da biodiversidade para o equilíbrio do solo e do clima, fazendo com que as áreas utilizadas se degradem ao longo do tempo. Ele cresce enquanto há novas áreas a serem incorporadas, aumentando a destruição ambiental e o êxodo rural. Em um planeta finito, assolado por desequilíbrios crescentes, a terra fértil e saudável é cada vez mais preciosa para garantir a sobrevivência dos bilhões de seres humanos. Infelizmente não há meio-termo nesse setor. É impossível garantir a qualidade, a segurança e o volume da produção de alimentos dentro desse modelo degradante. Não há como incentivar o uso correto de pesticidas. Isso não é viável em um país tropical como o Brasil, em que o calor faz roupas e equipamentos de segurança, necessários para as aplicações, virarem uma tortura para os trabalhadores. Há que buscar solução na transição agroecológica, ou seja, na gradual e crescente mudança do sistema atual para um novo modelo baseado no cultivo orgânico, mantendo o equilíbrio do solo e a biodiversidade, e redistribuindo a terra em propriedades menores. Isso facilita a rotatividade e o consórcio de culturas, o combate natural às pragas e o resgate das relações entre os seres humanos e a natureza, valorizando o clima e as espécies locais. Existem muitas experiências bem-sucedidas em nosso país e em todo o mundo, que comprovam a viabilidade desse novo modelo. Até em assentamentos da reforma agrária há exemplos de como promover a qualidade de vida, a justiça social e o desenvolvimento sustentável. Para fomentar esse debate, e exigir medidas concretas por parte do poder público, foi criada, em abril de 2011, a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. Dela participam cerca de 50 organizações, como a Via Campesina, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT no Estado de São Paulo (Fetquim). Confira o site na internet: www.contraosagrotoxicos.org. A campanha visa à conquista da verdadeira soberania alimentar, para que o Brasil deixe de ser mero exportador de commodities (com geração de grandes lucros para uma minoria e imensos danos à população) para se tornar um território em que a produção de alimentos se faça com dignidade social e de forma saudável. A outra opção é seguir nos iludindo com os falsos custos dos alimentos, envenenando nossa terra, reduzindo a biodiversidade, promovendo a concentração de renda, a socialização dos prejuízos e a criação de hospitais especializados no tratamento de câncer, como ocorre em Unaí (MG), onde se multiplicam os casos dessa gravíssima doença, devido ao cultivo tóxico de feijão. 

Artigo publicado no jornal "Correio Braziliense" nesta sexta-feira (12). 

*Frei Betto é escritor, autor de “A arte de semear estrelas” (Rocco), entre outros livros.