Este é o blog do “PROJETO: PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA”. Este projeto de extensão está sendo desenvolvido pelo CEGeT (Centro de Estudos de Geografia do Trabalho), coordenado pelo Prof. Dr. Antonio Thomaz Júnior, da FCT/Unesp Pres. Prudente através do Edital 58/2010 MDA/CNPq.


CEGeT – Centro de Estudos de Geografia do Trabalho
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP
Faculdade de Ciências e Tecnologia de Presidente Prudente
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PROJETO PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA

Com o intuito de estabelecer novas ações a serem desenvolvidas pelo Centro de Estudos de Geografia do Trabalho (CEGeT) através de sua linha de pesquisa“Estrutura Societal e Formas de Uso e Exploração da Terra no Brasil: As Conseqüências para o Trabalho e para os Movimentos Sociais” e norteados pelas pesquisas que temos desenvolvido nos últimos anos, propomo-nos a realizar o Projeto de Pesquisa PRÁTICAS AGROECOLÓGICAS NO PONTAL DO PARANAPANEMA/SP. Nossa intenção é mapear e identificar as atividades agroecológicas havidas no Pontal do Paranapanema/SP, em contraposição à alternativa do agrohidronegócio, em especial, à expansão do cultivo da cana-de-açúcar, visando compreender as tramas e conseqüências advindas de cada uma dessas possibilidades/realidades, a do agrohidronegócio e a da agroecologia em potencial. Assim, propõe-se acompanhar e registrar as atividades agroecológicas no Pontal do Paranapanema, sendo que, por meio desse Projeto pretendemos investigar como os agricultores/camponeses mantêm-se na luta pela terra de trabalho a partir do conhecimento e manejo de práticas agroecológicas.

A NATUREZA PEDE SOCORRO

Jornal Sem Terra – Especial Agrotóxicos



A utilização maciça dos agrotóxicos trouxe graves problemas ambientais pela degradação dos recursos naturais não renováveis, desequilíbrio ambiental, degradação e poluição da água, dos solos e do ar e também a contaminação dos alimentos. Os resíduos químicos presentes no solo deslocam-se contaminando rios, lagos, lençóis freáticos e oceanos. O agrotóxico elimina, juntamente com as pragas, organismos animais e vegetais, reduzindo a biodiversidade e implicando em instabilidade dos ecossistemas. As alterações nos ecossistemas fazem com que o agricultor necessite utilizar quantidades cada vez maiores de agrotóxicos, o que resulta em resistência das pragas a estes insumos.

O Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Em 2007 e 2008, consumiu cerca de 16% de todo agrotóxico produzido no mundo: tendo como base o ano de 2000, representou um crescimento de 176% (enquanto no mundo todo houve um crescimento de somente 45,44 %). É uma vergonha. O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Nossa preocupação com os riscos e impactos do uso dos agrotóxicos ao meio ambiente e ao ser humano não é recente: já em 1962 um livro muito importante que se chamava Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, mostrava como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos animais, podendo causar câncer e danos genéticos. A autora advertia para o fato de que a utilização de produtos químicos para controlar pragas e doenças estava interferindo nas defesas naturais do próprio ambiente natural, e acrescentava: "nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem".
Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que têm de manter sua matriz na base do monocultivo quase sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim poder colher com as máquinas num mesmo período. Esse veneno secante vai para a atmosfera e depois retorna com a chuva, atingindo toda a população.
A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todo esse tempo sem os agrotóxicos e transgênicos. Desde os povos mais antigos havia uso de algumas substâncias para controle de pragas e de processos de cultivo, há um acúmulo nesse sentido.
A primeira coisa importante de tomarmos consciência é que depois do uso de venenos a produtividade da agricultura certamente aumentou, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade não. Além disso, os agrotóxicos têm grande impacto comprovado sobre o meio ambiente, devido principalmente ao seu tempo de persistência. É comum em estudos de bacias hidrográficas a contaminação de resíduos de agrotóxicos nos rios, nascentes, poços de água, animais silvestres e plantas.
O maior risco de efeitos indesejados dos agrotóxicos ocorre por meio da contaminação do sistema hidrológico, que mantém a vida aquática e as cadeias alimentares a ele relacionadas. Principalmente tendo-se em vista que a água é indispensável para praticamente todas as atividades humanas, das quais se destacam o abastecimento doméstico e industrial, a irrigação agrícola, a geração de energia elétrica e as atividades de lazer, além da preservação da flora e fauna.
O conhecimento das propriedades químicas e físicas dos contaminantes orgânicos é necessário para prever onde encontraremos maiores concentrações dos agrotóxicos nos diferentes compartimentos do ecossistema. Mas também é importante para entender o significado dessas concentrações, e a razão de somente algum deles concentrarem toda atenção de risco ambiental.
Temos documentos dos produtores de agrotóxicos em que afirmam a sua estratégia de interferir no processo regulatório, fazer lobby, interferir na capacitação dos servidores públicos e dos operadores de direito que lidam com essa área.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia, com a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos OGMs organismos geneticamente modificados, bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos conclusivos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente. No entanto, vem sendo constantemente influenciada por empresas que visam a destruição do meio ambiente por meio da expansão do agronegócio! 

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