Jornal Sem Terra – Especial Agrotóxicos
A utilização maciça dos agrotóxicos trouxe graves problemas ambientais pela degradação dos recursos naturais não renováveis, desequilíbrio ambiental, degradação e poluição da água, dos solos e do ar e também a contaminação dos alimentos. Os resíduos químicos presentes no solo deslocam-se contaminando rios, lagos, lençóis freáticos e oceanos. O agrotóxico elimina, juntamente com as pragas, organismos animais e vegetais, reduzindo a biodiversidade e implicando em instabilidade dos ecossistemas. As alterações nos ecossistemas fazem com que o agricultor necessite utilizar quantidades cada vez maiores de agrotóxicos, o que resulta em resistência das pragas a estes insumos.
O Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. Em 2007 e 2008, consumiu cerca de 16% de todo agrotóxico produzido no mundo: tendo como base o ano de 2000, representou um crescimento de 176% (enquanto no mundo todo houve um crescimento de somente 45,44 %). É uma vergonha. O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Nossa preocupação com os riscos e impactos do uso dos agrotóxicos ao meio ambiente e ao ser humano não é recente: já em 1962 um livro muito importante que se chamava Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, mostrava como o DDT penetrava na cadeia alimentar e acumulava-se nos animais, podendo causar câncer e danos genéticos. A autora advertia para o fato de que a utilização de produtos químicos para controlar pragas e doenças estava interferindo nas defesas naturais do próprio ambiente natural, e acrescentava: "nós permitimos que esses produtos químicos fossem utilizados com pouca ou nenhuma pesquisa prévia sobre seu efeito no solo, na água, animais selvagens e sobre o próprio homem".
Os fazendeiros do agronegócio usam e abusam dos venenos, como única forma que têm de manter sua matriz na base do monocultivo quase sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim poder colher com as máquinas num mesmo período. Esse veneno secante vai para a atmosfera e depois retorna com a chuva, atingindo toda a população.
A humanidade tem cerca de 8 mil anos de história conhecida na agricultura, e nós vivemos e nos alimentamos por todo esse tempo sem os agrotóxicos e transgênicos. Desde os povos mais antigos havia uso de algumas substâncias para controle de pragas e de processos de cultivo, há um acúmulo nesse sentido.
A primeira coisa importante de tomarmos consciência é que depois do uso de venenos a produtividade da agricultura certamente aumentou, mas a segurança e a soberania alimentar da humanidade não. Além disso, os agrotóxicos têm grande impacto comprovado sobre o meio ambiente, devido principalmente ao seu tempo de persistência. É comum em estudos de bacias hidrográficas a contaminação de resíduos de agrotóxicos nos rios, nascentes, poços de água, animais silvestres e plantas.
O maior risco de efeitos indesejados dos agrotóxicos ocorre por meio da contaminação do sistema hidrológico, que mantém a vida aquática e as cadeias alimentares a ele relacionadas. Principalmente tendo-se em vista que a água é indispensável para praticamente todas as atividades humanas, das quais se destacam o abastecimento doméstico e industrial, a irrigação agrícola, a geração de energia elétrica e as atividades de lazer, além da preservação da flora e fauna.
O conhecimento das propriedades químicas e físicas dos contaminantes orgânicos é necessário para prever onde encontraremos maiores concentrações dos agrotóxicos nos diferentes compartimentos do ecossistema. Mas também é importante para entender o significado dessas concentrações, e a razão de somente algum deles concentrarem toda atenção de risco ambiental.
Temos documentos dos produtores de agrotóxicos em que afirmam a sua estratégia de interferir no processo regulatório, fazer lobby, interferir na capacitação dos servidores públicos e dos operadores de direito que lidam com essa área.
A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio é uma instância colegiada multidisciplinar, integrante do Ministério da Ciência e Tecnologia, com a finalidade de prestar apoio técnico consultivo e de assessoramento ao Governo Federal na formulação, atualização e implementação da Política Nacional de Biossegurança relativa aos OGMs organismos geneticamente modificados, bem como no estabelecimento de normas técnicas de segurança e pareceres técnicos conclusivos referentes à proteção da saúde humana, dos organismos vivos e do meio ambiente. No entanto, vem sendo constantemente influenciada por empresas que visam a destruição do meio ambiente por meio da expansão do agronegócio!
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